Fotógrafos Experimentais

 

Soft Body - Galina Kurlat


Galina Kurlat nasceu em 1981, em Moscou, e migrou para os Estados Unidos em 1989. Formada em Artes da Mídia pelo Pratt Institute, a artista criou raízes no Brooklyn. Galina descreve sua arte como "process based" (baseada no processo), valorizando a experimentação na mesma medida que o resultado final. Na exposição em questão, o material escolhido para compor a obra foi filme de Polaroid vencido, uma preferência artística coerente com a trajetória de Kurlat, que costuma utilizar técnicas analógicas, a exemplo da câmara escura, do colódio úmido e de impressões de lúmen. A escolha por modelos nus revela a vulnerabilidade da existência humana, hipnotizando o espectador com essa centelha de intimidade. Essa fotografia nos chamou a atenção devido à melancolia que transmite, ao mesmo tempo que provoca empatia e certa compaixão pela figura retratada. Além disso, o ser em foco não possui sexo facilmente discernível, criando uma impressão etérea. A fotografia é fria e desvanecida, quase como se tivéssemos capturado, de relance, uma pessoa na intimidade de seu quarto, solitária, dissociada, sem a consciência de estar sendo observada. A obra reside em um limbo entre o reconhecível e o efêmero. Nas palavras da autora, "meu trabalho é uma investigação contínua sobre o corpo como vulnerável e em constante transformação. Em cada interação, há uma conexão consistente com o corpóreo. Como a carne, essas imagens mudam com o tempo, traços reconhecíveis se desvanecem e gestos desaparecem, obscurecendo a identidade. Entre a beleza e a decadência, uma verdade se revela - uma verdade ambígua que levanta mais perguntas do que respostas".

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