Reflexão acerca do texto "Animação Cultural"

    Partindo do título, devemos dissecar o significado de "animação". No dicionário, "animação" é 1. ação ou efeito de dar alma ou vida a; 2. vivacidade, brilho. Nesse viés, pressupõe-se os objetos como dotados de características tidas como exclusivas da humanidade. O texto dialoga com "Animal Farm", de George Orwell, ao apresentar uma personagem um tanto despótica como líder de uma Revolução que clama a superioridade objetiva. Remetendo ao Gênesis, a Mesa-redonda argumenta que o homem, criado por outro ser a partir do barro, é também um objeto, porém não autêntico. O mito do homem moldado no barro não passaria de uma tentativa de superar a própria animalidade. Mais à frente no texto, é dito que o conhecimento humano se resume a três áreas: dos fenômenos inanimados, dos fenômenos animados, e dos objetos. Os dois primeiros, supostamente, serviriam apenas para concretizar o terceiro, afinal, tudo converge para os objetos. 

    Chegamos, então, ao cerne da discussão: a dependência humana dos objetos. A partir do século XIX, o poder que os objetos exercem sobre o homem se torna maior que o poder que o homem exerce sobre os objetos. Os aparelhos, a evolução da técnica e a produção cultural escravizam a mente humana e a torna refém dos objetos. Atualmente, com o advento da inteligência artificial, essa é uma verdade, cada vez mais, pesada. O texto traz a ideia de objetos adotando pensamentos humanos e de humanos assumindo funções objetivas - não é essa a realidade em que vivemos? O mundo capitalista transformou seres humanos em mercadoria e fez ascender os objetos (notadamente o dinheiro) ao pódio das importâncias. Os computadores e o algoritmo das redes sociais parecem ditar nosso próximo passo, roubando-nos o direito de intenção pessoal. 

    Contudo, ainda existe algo inerente ao ser humano que jamais poderá ser copiado ou substituído. Objetos não têm a arte, a criatividade e, inclusive, a capacidade de reflexão (ontológica ou não) humanas. Sem os objetos, o ser humano ainda tem significado; sem a humanidade, o objeto não tem nada.  

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